sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Biscoitos de Lamego

Portugal Feminino, nº 47, Dezembro de 1933.
Biscoitos de Lamego

Manteiga - 250 grs.
Gemas de ovo - 10
Claras - 4
Farinha de Trigo . 100 grs.
Açúcar - 500 grs.

Batem-se as gemas e as claras com o açúcar, juntando depois a manteiga e a farinha; amassa-se tudo bem, para unir, batendo depois a massa sobre uma tábua. Tendem-se depois os biscoitos, formando grades que se armam nos próprios tabuleiros untados com manteiga.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Do Comércio do "Reino do Algarve" com Inglaterra e Holanda.

Gazeta de Lisboa, 16 de Janeiro de 1721

Muito interessante esta pequena notícia retirada da Gazeta de Lisboa, de 16 de Janeiro de 1721, que nos dá conta do comércio estabelecido  entre o "reino dos Algarves", e as naus de Inglaterra e da Holanda. De facto, os produtos exportados são reconhecíveis como sendo, ainda hoje, oriundos daquela região: figos, passas, sumagre, limão, amêndoas - com e sem casca - laranjas e alecrim. 
Uma dieta tipicamente mediterrânica. Muito interessante.

Pastelão Delicioso (ou de como aproveitar sobras de carne) - Fotoreportagem

Pese 3 ovos
igual quantidade de farinha
e metade de manteiga.
[Nota: a avó tem duas versões desta receita. Numa, a mais recente, a Avó
refere 'metade de manteiga' e, na versão mais antiga, 'igual peso de manteiga'.
Eu mantive a proporção da versão mais recente: 'metade do peso'.]

Mistura-se a farinha com um pouco de sal e 1 colher (de chá) de fermento.
Junte-se a manteiga
e os ovos.
Unta-se a forma
e cobre-se com metade da massa, recheia-se com frango ou carne
e cobre-se com a restante massa, pincela-se com ovo e leva-se a forno esperto.NOTA: Forno esperto corresponde, sensivelmente, entre 160º e 190º graus.

E já está. Um Pastelão Delicioso... delicioso. Uma óptima forma de aproveitar sobras de carne. Fica excelente quente ou frio, sendo por isso ideal também para pic-nic.
Como refiro em cima, a Avó Helena tem duas versões desta receita. A versão que me parece mais antiga, refere que o peso da manteiga deve ser o mesmo que o peso dos 3 ovos, à semelhança com o que acontece com a farinha. Na versão que me parece mais recente - e que tem um 'X', sinal de aprovado - a Avó diminui o peso da manteiga para metade do peso dos 3 ovos. Foi esta última versão que fiz e ficou muito muito bem... 

Veja aqui as duas versões: a Versão 'antiga' e a Versão 'recente'.

Experimente e faça a sua avaliação...

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Bolo de Mármore - Fotoreportagem

Bate-se 250 de açúcar
com 125 de manteiga.
Junta-se 3 gemas
1 colher (de chá) de fermento
1 chávena (de café) de leite
e 250 de farinha.
Por fim as claras em castelo.
Tende-se a massa em 2 partes
e a uma adiciona-se chocolate em pó (eu juntei 50 gr. do bom).
Unta-se bem a fôrma (eu uso manteiga e pão ralado)
e vão-se pondo colheradas alternadas de massa,
da massa de chocolate e massa amarela. Vai ao forno.

E cá está ele... o velhinho mas sempre bom Bolo de Mármore. Rápido, fácil e óptimo... tanto para chá como para sobremesa a acompanhar com gelado ou chocolate quente. 
Há quanto tempo não faz um Bolo de Mármore? Experimente e diga-me como ficou. Diga lá se o fim-de-semana não vem mesmo a calhar? Mãos à obra!!!

Veja a receita AQUI.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Bolo de Auvergne

Vida Alentejana, nº 27, 19 de Março de 1935
Bolo de Auvergne

Descascar as castanhas e cozê-las em leite aromatizado com baunilha e flor de laranjeira. Passar numa peneira e a este papa, a quinta parte do seu peso de mel. Bater fortemente, amassar, rolar em bola e fazer dourar no forno durante 10 minutos.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Fritura de Couve-flor

Revista Eva, 27 de Junho de 1925
Fritura de Couve-flor

Escolhe-se uma boa couve-flor, limpa-se das folhas verdes, lava-se cuidadosamente, e coze-se em água e sal. Escorre-se em seguida, separa-se em pequenos ramos e polvilham-se estas com sal fino e pimenta e regam-se com uns pingos de manteiga derretida e sumo de limão.
Desfaz-se numa tigela três colheres de farinha de trigo em dois decilitros de água fria, junta-se-lhe um ovo inteiro batido, e tempera-se de sal e pimenta.
Mergulham-se neste polme, que deve ficar forte, um a um, os pequenos ramos da couve-flor, preparados como indicamos, vão-se tirando juntamente com um pouco de polme, bem envolvidos nele, e deitam-se em azeite ou banha bem quente, voltando-os dum e outro lado para dourarem por igual.
Depois de fritos dispõe-se numa travessa coberta com um guardanapo, dobra-se as pontas deste sobre as frituras e servem-se bem quentes acompanhadas com a molheira contendo molho de tomate.

sábado, 28 de outubro de 2017

Aletria de Leite com Ovos - Fotoreportagem

Branqueia-se 200 gr. de aletria em muita água fervente.
Ao mesmo tempo, coloca-se numa vasilha à parte 800 ml. de leite,
com vidrado de limão e um pau de canela [opcional] a aquecer.
Estando a massa branqueada, escorre-se a massa e torna-se a vertê-la
para o tacho onde se branqueou,
adicionando-se o leite, o vidrado e o pau de canela que se foi amornando
e juntam-se 200 gr. de açúcar, mexendo bem. Deixa-se a massa cozer
e estando cozida retira-se do lume.
Retira-se o vidrado de limão e o pau de canela e deixa-se esfriar um pouco.
Adicionam-se, muito lentamente e em fio, as 6 gemas de ovos
já misturadas com um pouco de leite e mexe-se sempre.
Volta o tacho ao lume para cozer as gemas,
tendo cuidado para não agarrar ao fundo.
Quando estiver com a consistência que pretende, retire do lume e...
cá está ela, amarelinha e excelente.
BOM APETITE

Esta receita de Aletria, que já a fiz dezenas de vezes, é garantidamente um sucesso. Eu sou o fã nº 1. Fica sempre excelente. Mais uma vez, o excelente Carlos Bento da Maia a não desiludir... quem sabe se o nosso leitor este ano não introduz uma nova tradição na sua Ceia de Consoada? 
Experimente e diga-me de sua justiça... partilhe comigo os seus resultados.

Veja a receita original AQUI.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Manjar Real

Jornal das Senhoras, ano 1, nº 19 - 10 de Abril de 1905

Manjar Real


Deita-se em um tacho um peito de galinha, meio cozido e desfiado, desfaz-se muito bem, delindo-se no mesmo tacho com a colher, misture-se com o miolo de meio pão ralado, 125 gr. de amêndoas bem picadas e um quilo e quinhentas gr. de açúcar em ponto de espadana; depois de batido tudo isto, ponha-se a cozer em lume brando, até que engrosse; quando estiver grosso deita-se nos pratos e manda-se à mesa.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Pudim de Pão à Brasileira, de Madame Z

Portugal Feminino, nº 12, Janeiro de 1931, pág. 37

Pudim de Pão à Brasileira

Ralam-se 250 gramas de pão, que deve ser meio duro, põe-se de molho em 3 decilitros de leite e deixa-se aboborar; em estando bem macio e desfeito, juntam-se 5 gramas [aqui é nitidamente um erro, devendo ser '5 gemas'] e uma clara, 180 gramas de açúcar, 50 gramas de manteiga derretida, meia colher de canela em pó, casca de limão ralada, e uma porção de passas de Corinto. Mexe-se tudo isto até que fique muito bem misturado e ligado como um polme grosso; unta-se uma forma com manteiga e deita-se esta massa na forma. Vai a lume que não esteja muito forte, cobre-se a forma com um papel, para se não queimar o pudim e em estando cozido e corado por cima, tira-se do forno. É conveniente deixá-lo arrefecer para se desenformar com mais facilidade. Conhece-se quando o pudim está cozido, metendo-se-lhe um palito. Se o palito vier seco, está pronto.
Madame Z

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Restaurante Abadia e os Makavenkos

Livro de Anísio Franco: Lisboa Desconhecida & Insólita,
Porto Editora, 2017
Club dos Makavenkos
Sala de refeições onde se reuniam os Makavenkos
Entrada para o "telúrico" espaço da Abadia
Palácio Foz, Restauradores, Lisboa
Eu a transbordar de alegria
Naquela chaminé faziam-se os oníricos banquetes
O poço [iniciático] do restaurante Abadia, sempre com água
Pormenores do restaurante Abadia
Os Makavenkos?
Vamos jantar?

Finalmente, graças ao lançamento do mais recente livro de Anísio Franco: Lisboa Insólita & Desconhecida - que recomendo vivamente a sua leitura -, que ocorreu no dia 19 de Outubro de 2017 no Palácio Foz, pude conhecer a célebre Abadia, restaurante subterrâneo do sumptuoso Palácio, onde se reuniam os famosos Makavenkos. Fiquei emocionado e estarrecido. Que espaço incrível. 

Informem-se junto do Palácio Foz, em Lisboa, e não percam uma das visitas guiadas mensais que ali se realizam.

"Em Abril de 1917 foi inaugurado no velho edifício do Palácio Castelo Melhor, então propriedade dos condes de Sucena, um estabelecimento denominado "Pastelaria Foz", propriedade da firma Leitão & Cª. O salão de Pastelaria, que já não existe, era uma pastiche concebida ao estilo de Luís XV e rocaille, por Viriato da Silva, e com a colaboração do escultor José Neto. Ocupava diversas dependências do andar térreo e também uma cave secreta, nela está guardada uma jóia da cidade de Lisboa, o "Restaurante Abadia", lugar de reuniões da maçonaria - "Os Makavenkos".

Reinando ainda D. Luís I, o Clube dos Makavenkos foi fundado em 1884 por 13 sócios (rapidamente subindo de número chegando ter mais de 100 filiados) cuja principal ocupação aparente não passaria da comensal e boémia: o prazer da boa mesa, da “alegre rapioqueira” e a compensação dos “pecados” com actos de benemerência. Todos eram iguais perante a sopa, o copo e as makavenkas, e nenhum podia namoriscar com a mesma por mais de 15 dias. Findo esse período, ela seria declarada “praça aberta” e ele, se insistisse, levava o título de “lamechas” e a intimidação para pôr fim ao relacionamento em 24 horas. Nisto ficou famoso o makavenko Santos Joya, que exercia “extraordinário poder magnético sobre as mulheres, convidando-as às dezenas para os jantares”, e por essa razão já merecera “as honras dum festim à romana e respectiva coroa de louros, para se lhe exaltar as suas qualidades de macho”. Quando ele não aparecia, faltavam “damas e melhores exemplares da raça luso-espanhola” que “abrilhantassem a encantadora festa, porque as flores animadas são sempre bem cabidas e apreciadas”. Foi o próprio Francisco Grandella quem fundou o clube, e o seu presidente honorário, depois de 1898, foi Ferreira do Amaral, e após a sua morte o cargo foi ocupado pelo dr. Azevedo Neves. Em Lisboa, “quando começaram (os makavenkos) iniciaram as suas reuniões em Santa Isabel, no palacete do Conde das Antas, no quintal onde se achavam vários animais, denominado Parque Zoológico, (…) que às sextas-feiras jantavam no dito parque”. Todavia, os makavenkos não deixaram de saltitar por outras casas e restaurantes, até que Francisco Grandella comprou o terreno do velho Teatro Condes e mandou reconstruir este em 1888, reservando a cave para implantar a sede makavenkal (que a partir de 1916 seria partilhada com a Abadia, do outro lado da avenida). Apesar de levemente ligada à dramaturgia, não obstante a cave do Condes vulgarmente enchia-se de autores, actores e actrizes para jantares, festas e banquetes, tendo passado por ele uma boa parte da alta sociedade e da intelectualidade masculina da Lisboa de então, sobretudo nobres com títulos de fancaria comprados a outros titulares arruinados.

Imaginemos o secretismo de entrar neste local de culto original de 1917, quem entra dá de caras com um velho poço onde ainda corre agua, de uma das imensas nascentes lisboetas, este fica localizado num espaço que copia um antigo claustro conventual, de influência manuelina. A restante decoração é feita com dragões, cachos de uvas, pombas, elefantes e muitos outros símbolos com segundos sentidos, entre os quais os bustos de 24 maçons que utilizavam este espaço.a cave, onde ficou instalado um restaurante anexo, a "Abadia". Trata-se de um exemplar demonstrativo da interpretação que os arquitectos e decoradores portugueses então faziam do gosto "belle époque", em que o "revivalismo" de sabor medieval europeu, aparece metamorfoseado na atracção por um manuelino sobrecarregado de formas e repassado de elementos simbolistas.

A Abadia está dividida em três partes - o CLAUSTRUM (com a sua "taberna vínica", conforme se pode ler num dístico em ferro forjado), o REFECTORIUM (inspirado nos claustros do românico cisterciense peninsular) e as "CELAS", pequenas dependências de carácter reservado suspensas sobre o "Claustrum"." - Texto página de Facebook do Palácio Foz.

Para mais leituras: AQUI e AQUI